A segunda temporada do Podiversas vai dar voz a pesquisadores que participaram do 1º Simpósio de Comunicação e Acessibilidade – Somos Diversas, realizado em João Pessoa. Oportunidade de conhecer de perto trabalhos e iniciativas que impulsionam a construção de uma sociedade mais inclusiva, conhecendo diferentes olhares, desafios e soluções vindos de várias regiões do Brasil.
Ouça o episódio abaixo pelo Spotify ou em uma das plataformas a seguir: Deezer, Amazon Music ou YouTube Music.
Leia abaixo a transcrição do episódio:
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Marcos:
Olá, você está no Podiversa e essa é a nossa segunda temporada. Nosso podcast é um espaço de troca e diálogo onde a ciência e o conhecimento estão a favor da sociedade. Nesta temporada, damos voz aos pesquisadores do projeto Somos Diversas e seus trabalhos apresentados no primeiro simpósio de acessibilidade e comunicação Somos Diversas, que aconteceu na Universidade Federal da Paraíba em João Pessoa. Em cada episódio, você vai conhecer estudos, ter acesso a dados, vivências e iniciativas que buscam transformar realidades e diminuir barreiras físicas, comunicação, atitudinais e institucionais que impactam pessoas com deficiência.
No episódio de hoje conheceremos o trabalho do pesquisador João Faustino. João é mestrando no programa de pós-graduação de comunicação na universidade estadual Paulista, a UNESP, e apresentou o trabalho Processos comunicacionais e estratégicos sobre a deficiência na UFMG. Se prepare, o conhecimento inclusivo começa agora.
João:
A explanação aqui vai ser muito no sentido de trazer algo mais palatável, se posso dizer, de tudo que foi discutido até aqui, que essa tentativa que o Somos está tentando, está fazendo, assim, um trabalho de formiguinha mesmo, juntando esforços, já faz um pouco mais de um ano o projeto, mais a pesquisa da UFMG que a gente vem desenvolvendo já faz pouco mais de dois anos, que é esse trabalho de formiguinha de identificar, de colocar na prática esses erros, esses caminhos que a gente vem identificando tanto na fala da Flávia, nos debates que a Flávia propôs, tanto na fala da Regiane, por isso eu optei por chamar minha apresentação de caminhos, a inclusão, os processos comunicacionais estratégicos, acerca da eficiência, desenvolvidos na UFMG. […]
No primeiro momento eu trouxe um infográfico que traz muitos dados, mas eu vou descrever os dados que interessam aqui para a gente entender que atualmente o Brasil tem um pouco mais de 203 milhões de pessoas, desde esse quantitativo total, a gente tem um pouco mais de 18 milhões de pessoas com deficiência, é um dado que provavelmente as outras pessoas que vão passar por aqui vão explorar, o que demonstra que o Brasil atualmente tem 9,1 %de pessoas com deficiência, no entanto quando a gente olha para o âmbito do ensino superior esses dados não convergem para essa realidade. […]
Segundo o último censo da educação realizado pelo INEP, em parceria com inúmeros ministérios, inclusive da educação, bem como o dos direitos humanos, […] a presença das pessoas dentro das universidades, dentro do ensino superior, nos últimos 10 anos no comparativo entre 2013 e 2023, teve um aumento de 172%, então foi um aumento assim, a gente teve ali em meados da década atrás, o Reune, se me falha a memória, não estou lembrando no ano que foi, e aí teve um boom e aí a gente teve esse aumento das pessoas com deficiência dentro das universidades e eu trago esse número aqui de 172 %desse aumento para a gente reconhecer que as pessoas com deficiência estão ocupando esses espaços e ocupando esses espaços depois de muita luta, de muito tempo e a gente tem que considerá-las e dentro desses espaços para a gente pensar um ensino superior mais inclusivo. […]
Adiante, adentro mais especificamente da minha realidade na pós-graduação, a gente observa um aumento ainda maior das pessoas com deficiência nesse espaço no comparativo também do ano de 2017 até o ano de 2023, no período de tempo menor a gente teve um aumento de 379 %das pessoas com deficiência nesse espaço da pós-graduação, quando eu digo pós-graduação são as pós-graduações de stricto sensu do mestrado e doutorado dentro das universidades, tanto privadas quanto universidades federais ou públicas, que também é fruto do Censo da Educação realizado em 2023 pelo INEP. […] E aí, acerca dessas motivações, desse projeto que a gente desenvolveu no FMG, para tentar entender a perspectiva da deficiência dentro da comunidade acadêmica, se motivou justamente desses dados. Na época, a Regiane olhou para esses dados que saíram, nem haviam saído, muito saíram agora no começo de 2024, alguns no começo de 2025, e falou Ah, as pessoas com deficiência estão ocupando as universidades, as universidades precisam ser adaptadas, as universidades precisam achar meios para conseguir atender as demandas de todos, de todos de forma homogênea. E aí o projeto surgiu justamente a partir dessas motivações do entendimento do ensino superior, enquanto um espaço acessível para todos. Quando eu digo todos, todos os grupos mesmos, agora a gente está vendo, depois de muito tempo, as cotas trans entrando dentro das instituições, e também a gente está tendo esse aumento que contempla justamente essa diversidade que hoje o Brasil é.
Outra motivação também que o projeto tentou suprir, foi exatamente essa questão da transformação do ensino superior em si. Então não só tem essa transformação das instituições, mas também dessa transformação pedagógica. Então uma das motivações foi Ah, os professores também têm essa adaptação, não somente os espaços, as estruturas físicas, mas uma questão mais de todos da comunidade. Dentro disso, o objetivo principal do projeto, que ainda está em andamento, e aí é importante frisar, era entender como que a percepção da deficiência é vista pela comunidade acadêmica. E aí quando a gente fala nessa comunidade acadêmica a gente tem diversos atores, professores, pessoas com deficiência, pessoas sem deficiência, as pessoas que apoiam as pessoas com deficiência, os técnicos, os terceirizados, […] as pessoas que ocupam cargo dentro das veitorias, dos órgãos ditos como institucionais, por além dos professores. E aí são todos esses grupos que a gente fez através de um apeamento de públicos lá em 2023, trabalho bem de R&P de Formiguinha, para a gente entender qual que é os públicos que as pessoas com deficiência se deixam afetar e afetam. E aí a partir disso a gente fez uma proposição para tentar chegar nesse objetivo delineado, que é a questão do entendimento dos públicos, do entendimento que os públicos têm acerca da deficiência.
Um segundo momento e o principal, talvez vem num plano de fundo, mas ele vem como objetivo principal, todo esse trabalho que a gente está fazendo aqui é para gerar dados para possíveis políticas públicas. Então quando o Nai virou para a região e falou assim ah não, precisamos entender essa percepção, precisamos entender esse cenário para quê? Para a gente conseguir desaguar em novas políticas dentro da universidade, conseguir desencadear novas políticas públicas para o ensino superior em si, e também para tornar esse método um padrão. Porque essa pesquisa que a gente fez a coleta em 2023, 2024, daqui a cinco anos ela precisa ser refeita, para ter um novo entendimento acerca desse cenário superior. Então também quando o Nai, o núcleo de acessibilidade da universidade, virou para a gente e falou assim ai, como que a gente vai conseguir melhorar isso? A gente precisa entender isso.
Foi justamente para gerar políticas, estão lá na ponta também, esse objetivo final nosso, quando a gente terminar essa análise da etapa da análise dos dados que a gente está, é de entender justamente essa questão, é de propor justamente, não propor, não é que não é nosso papel, mas também propor caminhos para que políticas públicas possam ser propostas e possam ser aprovadas dentro da universidade. E aí esse terceiro objetivo conversa muito com o segundo, que é criar instrumentos que possibilitam a replicação dessa metodologia em outras universidades. Então essa metodologia é padrão que a gente colocou na UFMG, mas que a gente tem o fiel desejo que seja replicado para que outras universidades também possam entender, para que a gente possa fazer comparação justamente na fala que a nossa amiga trouxe ali, de tentar convergir, por exemplo, que o IF de Santa Catarina Trás faz atualmente que outras universidades possam fazer e assim todos avançar juntos. […]
Nosso projeto vem desde 2023, vem um ano antes do Somos e veio justamente desse desejo do Nai. O Nai queria que a gente, enquanto profissionais da comunicação, professores da comunicação, estudantes da comunicação, gerasse um diagnóstico que foi gerado no final do ano de 2023 acerca da percepção da deficiência dentro da comunidade universitária. E ainda dentro de 2023, o projeto também, além de realizar esse diagnóstico, a gente fez a coleta dos surveys. Os surveys, basicamente, não sei se todos sabem, mas é como se fosse um questionário de entrevista, um questionário com inúmeras perguntas e a gente fez essa coleta de dados para poder montar esse diagnóstico. Também no ano de 2023, então foi feito um trabalho manual mesmo de entrevistar as pessoas dentro da universidade, e também de disparo no e-mail das pessoas que compõem essa comunidade universitária. Então, no primeiro momento a gente foi, se debruçou na bibliografia, se debruçou na literatura para poder montar esse survey, e aí efetivamente a gente foi aplicar esse survey para a gente fazer essa coleta de dados que acabou de desencar de ano nesse diagnóstico de comunicação que trouxe algumas preposições iniciais e alguns fatos iniciais, mas que não trouxe a totalidade de coisas que a gente precisava fazer, que a gente precisava saber, que a universidade pediu para a gente, e uma delas foi a questão do modelo biomédico que a Regiane trouxe, que é a universidade, majoritariamente, prioritariamente, quase uma parcialidade total de sua comunidade, em termos de eficiência vinculada a esse modelo biomético. E aí também, no ano de 2023, esse survey gerou para a gente 1.100 respostas, dessas 1.100 respostas, […] 258 pessoas com deficiência respondeu esse questionário, e aí a gente conseguiu validar a amostra dentro da comunidade da UFMG, isso daí é uma amostra válida para que a gente possa chegar em resultados, em termos de pesquisas, […] que possam ser considerados validados.
E aí, chegando já no ano de 2024 desse trabalho que a gente começou lá na UFMG, a gente foi se debruçar em cima desses dados e propor cruzamentos para eles. Então, entender como que, por exemplo, as mulheres, as professoras, mulheres que dão aula para as pessoas com deficiência, entendem a deficiência, ou não, como que as pessoas terceirizadas do gênero masculino entendem a deficiência. E é justamente nesse pé que a gente está neste momento. Então, aqui eu trouxe um gráfico para vocês. Esse gráfico ali é um gráfico do estilo de pizzas, que traz inúmeras cores, o slide está trocando as cores que estão diferentes aqui da coisa, mas é um rosa claro, uma fatia que é azul clara, uma fatia de um rosa mais escuro. E aí, esse gráfico ele trata acerca de um das questões, isso daqui é somente uma das questões e um dos cruzamentos que a gente propôs daquele survey que a gente trouxe lá no… que a gente trouxe, que foi desenvolvido em 2023, que é a nossa opinião, o que é deficiência. E aí ele traz inúmeros tipos de deficiência que as pessoas foram respondendo. A gente está debruçado sobre isso daqui ainda, nem vou adentrar muito nessas porcentagens que eu trago aqui, porque elas são relevantes para a minha exposição. Então, no entanto, a gente está nesse trabalho justamente de montar esses gráficos para que a gente possa chegar em afirmações. Então, por exemplo, a gente observa que alguns modelos, como o biomédico, por exemplo, a questão da religião que está presente ali também, eles se destacam dentro da comunidade da UFMG, o que demonstra apontamentos iniciais para que a gente possa continuar no desenvolvimento da pesquisa.
Agora foi. […] Um outro gráfico também que a gente trouxe que está dentro dessa etapa que a gente está agora de cruzamento, é a questão de como que as pessoas que têm relação com pessoas com deficientes se sentem com isso. Então se elas se sentem confortável, elas não se sentem confortável. Também é um gráfico que eu trago com inúmeras cores, verde claro, azul, um rosa mais escuro. E aí a gente também está no âmbito de analisar esses dados porque essas percepções convergem para um entendimento mais complexo do conceito de deficiência que a gente quer chegar dentro da comunidade universitária da UFMG.
Ainda na etapa atual do projeto, o projeto em 2024 ele realizou grupos focais. No total foram dois grupos focais com amostras válidas, um grupo focal com a comunidade surdo que a gente conseguiu escutar as demandas que eles têm, a percepção que eles têm acerca da deficiência dentro da universidade e um grupo focal mais relacionado com a faculdade de filosofia e ciências humanas lá da universidade que é nele que eu vou me ater agora, a partir de agora, que ele também alcançou a amostra válida de uma participação acima de seis pessoas. Então a gente conseguiu esse grupo focal e aí a gente também dentro do ano de 2024 iniciou essas análises naqueles gráficos como eu disse para vocês e agora a gente está nessa elaboração de, na verdade, a gente elaborou em 2024 um manual que ele está servindo de passo a passo por exemplo, para a universidade estadual do Mato Grosso para que eles possam replicar esse modelo metodológico que a gente fez na UFMG em 2023. Então a gente também elaborou um manual por além do diagnóstico que foi feito em 2023, em 2024 a gente elaborou um manual, um estilo ali de dossiê, para que as outras universidades também possam replicar esse modelo para o entendimento da deficiência e da acessibilidade no seu interior. […]
Dentro dos principais desafios que nós da UFMG enfrentamos ao longo desse processo foi a compreensão, desculpa, dentro dos principais desafios que as pessoas do grupo focal da Fafiche, que é a comunidade que a gente mais avançou na nossa pesquisa, eles trouxeram inúmeras demandas para a gente e uma dessas demandas que eles trouxeram foi questões ligadas à estrutura da universidade que a gente já esperava mas que ainda assim […] trouxe inovações para a gente, dentro dessa perspectiva qualitativa que a gente tinha dentro do serve. Então o grupo focal trouxe para a gente demandas como a questão das rampas, como a questão pedagógica, que era uma questão que a gente já esperava mas essa demanda que eles trouxeram para a gente se tornou ainda mais intensa que os professores eles não estão preparados, os professores muitas vezes é dar um tratamento para eles enquanto pessoas com estudantes e pessoas com deficiência, que é um tratamento que ele é um tratamento hostil muitas vezes, um tratamento que não é adequado, está longe de um tratamento pedagógico e trouxeram demandas como o acesso ao restaurante universitário por exemplo, que lá na universidade Federal de Minas Gerais nós temos dois restaurante universitários no Campos Pampulha e o acesso até aí pelos inúmeros institutos acadêmicos ou faculdades como queriam chamar, ele é um acesso dificultoso em especial para os estudantes da Fafiche, que tem que subir uma espécie de um morroladeira para conseguir chegar lá e esse caminho não tem nenhuma espécie de acessibilidade, não tem um piso tátil, ele não é nem sequer alfaltado, é totalmente as raízes da árvore, elas estão jogadas ali e se você for para a rua, a rua lembra pedregulho, que lembra muito linda, Ouro-Preto, a rua é totalmente cheia de pedregulho.
E essas questões em especial essa questão do RU, estou enfatizando ela porque foi uma coisa que surpreendeu muita gente. Porque a gente ia num bandejão tranquilo, passava, só que aquilo para uma pessoa que tem dificuldade de mobilidade, para uma pessoa que tem dificuldade visual, é muito complexo. Porque as raízes da árvore estão ali, a questão da… o asfalto não é aquele asfalto plano que é o tradicional que a gente tem nas cidades, é aquele que lembra ainda um tempo histórico antigo que é a questão do Pedragulho. E aí acabou que por além das demandas dos professores, as demandas de acesso, a gente também teve essa demanda que se destacou, que foi do restaurante universitário, que inclusive foi uma das que a gente deu enfoque dentro da nossa entrega, do nosso relatório pro Nai, lá no ano de 2020, do ano de 2024, mais que em 2025 a gente quer entender de forma mais detalhada. Ali eu também coloquei a questão das atitudes capacitistas dos professores, que também foi algo que eles trouxeram para a gente. E por fim, a questão das dificuldades de informação básica, que inclusive Leilyane estava no debate com a Regiane, que realmente é isso, a universidade coloca um site, ela propõe algo, pinta aquilo ali como acessível, sendo que aquilo ali não é acessível para ninguém. Em especial para a comunidade onde as pessoas com deficiência estão, e as pessoas que se afetam e se deixam afetar pelas pessoas com deficiência, utilizam desses sistemas institucionais.
Os desafios que nós enfrentamos até aqui de dar um caráter qualitativo para o nosso dado, se a gente conseguiu muitas respostas foram mais de 1.100 respostas nesses serviços, mas a gente está com muita dificuldade de entender minuciosamente o que cada porcentagem representa. Por mais que o nosso questionário estava muito fechado, a gente está agora nessa etapa, que eu quase vou pintar como uma etapa de trabalho de camelo, de tentar reunir as pessoas, de conversar com elas, para tentar entender mais especificamente o que os números mostram para a gente, que a gente tem uma percepção geral, mas a gente precisa desse aspecto qualitativo. No primeiro momento, nós no projeto optamos por realizar grupo focais, que reunia 6 ou mais pessoas para falar a respeito da temática através de um questionário com perguntas em que a gente coletava e sistematizava o que era dito ali, só que agora a gente está numa tentativa de uma nova metodologia que são entrevistas individuais. Essas entrevistas a gente está em aplicação ainda, as novas bolsistas lá estão aplicando, a gente pretende sistematizar e aí continuar realizando elas até que a gente esgote aquilo que foi dito pelas pessoas. É um trabalho que, num grupo focado a gente escuta de 6 ou mais pessoas, então é algo que a gente quebraria uma entrevista, seriam 6 entrevistas, mas que a gente teve que dar um passo para trás de escutar pessoas individualmente por conta da questão de tempo, ninguém tinha disponibilidade para comparecer ainda que fosse online ou ainda que fosse presencial dentro das unidades acadêmicas onde as pessoas trabalhavam ou lecionavam para tentar escutar.
Então agora a gente está escutando as pessoas com deficiência e os professores, mas futuramente nos próximos semestres a gente vai escutar os outros grupos individualmente. Então escutar os terceirizados, escutar as pessoas que convivem com as pessoas com deficiência, escutar os alunos sem deficiência, tudo acerca dessa temática para a gente dar uma carinha aí para esse número que a gente encontrou, números, na verdade. E aí por além dessa tentativa de implementação das entrevistas agora, atualmente e a gente também enfrentou essa questão de aprofundamento nesses números, então esses números estão muito rasos, então quando a gente vem e fala que é o FMG, majoritariamente entende a deficiência como um modelo biomédico, tá, e aí, esse modelo biométrico está vinculado a o que? Está vinculado a qual característica específica? A literatura vai dizer isso, mas cada comunidade, uma especial, a comunidade da FMG, um especial, o grupo que a gente está conversando, tem as suas especificidades para convergir para esse entendimento desse modelo biométrico. E também um dos, de outro desafio que a gente enfrentou, não em larga escala, mas também foi um desafio, essa questão da articulação. Quando eu digo articulação, a nossa articulação com os meios institucionais, ela segue uma articulação muito positiva, porque a gente tem um Nai do nosso lado, então a gente está conseguindo conversar com a Reitoria, a gente está conseguindo conversar com as instâncias acima de nós, mas quem é o nosso público alvo mesmo que é a comunidade acadêmica comum toda, a gente está tendo essa dificuldade de articulação. Então essa dificuldade de articulação acaba aqui, impossibilitou por exemplo esses grupos focais, demorou muito a coleta de dados pelo service, demorou muito a coleta de dados pelas, pelas entrevistas que a gente fez de forma manual, então a gente teve essas dificuldades que eu creio que deve ser, não sei, já foram dificuldades compartilhadas em outras universidades, mas são dificuldades, essa dificuldade de articulação foi muito presente ao longo do ano de 2024. […]
Os nossos desafios futuros, a gente quer atribuir, se olhar qualitativo para as coisas, a gente quer os transformar, os achados em proposições para políticas públicas, igual disse nosso grande alvo assim, entregar um trabalho que está aqui em nosso relatório sobre a deficiência. Agora fazem por favor uma RAM para passeçar o RU, por favor fazem os professores fazer um curso com o som diversa para ter uma metodologia acessível de aula. […] Os nossos desafios futuros também vão convergir para a realização de uma nova aplicação dessas pesquisas, tanto dentro da Universidade Federal de Minas Gerais, para ver se o modelo de deficiência, essa percepção do modelo de deficiência foi alterada e também para ver se a política pública que vai ser implementada era que 5 ou 10 anos está sendo válida, se é aquilo que atende mesmo as demandas que as comunidades afetadas trouxem para a gente ao longo desse trabalho e também a reaplicação desses questionários em outras universidades, que é o grande, igual disse, o grande objetivo do projeto como um todo em uma das frentes do projeto, que é conseguir reaplicar essa metodologia dentro das outras universidades.
E por fim, a gente também quer continuar dentro desses desafios futuros, tentar manter um diálogo, um diálogo constante tanto com a comunidade das pessoas com deficiência, quanto com a comunidade da universidade em si, para que a gente possa sempre estar avançando em um rumo de entender a deficiência a partir de um modelo comunicacional estratégico.
Marcos:
Chegamos ao fim do nosso primeiro encontro e tivemos a satisfação de conhecendo um pouco do trabalho que o pesquisador João Faustino apresentou em nosso primeiro simpósio. Esta temporada é composta por sete episódios. Esperamos que tenha gostado e que possa compartilhar com outras pessoas ao seu redor. Não se esqueça de seguir a gente no Instagram @projetossomosdiversas. Você pode ouvir este e outros episódios no seu agregador de podcast favorito. […] Este episódio contou com a edição e a locução de Marcos Paque e Roteiro de Talita de França. Antes de irmos, lembre-se que a inclusão é uma construção coletiva. A Universidade produz pesquisas para auxiliar nessa jornada, mas as mudanças depenem da conscientização e da ação de todas. Continue com a gente nessa caminhada por uma sociedade mais acessível, diversa e plural. Até o próximo episódio. […] O POD Versas é uma iniciativa do Observatório da Linguagem e Inclusão que integra o projeto de pesquisa Somos diversas financiado com recursos provenientes da CAPS, coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior.